Jane Blasio foi vendida por um abortista em uma clínica na Geórgia, EUA. (Foto: Reprodução/Christian Post)


Imagine-se no lugar de uma pessoa que, de repente, descobre que foi vendida quando bebê, por um aborteiro corrupto. Qual a sensação? Foi o que aconteceu com Jane Blasio, comercializada ilegalmente em uma clínica de aborto, na Geórgia, nos EUA. 

Embora a descoberta não tenha sido fácil, hoje ela vê seu passado como um testamento da fidelidade, proteção e soberania de Deus, mesmo em meio às circunstâncias mais dolorosas.


Deus esteve comigo desde o início”, disse a mulher de 56 anos ao Christian Post. “Ele mostrou, repetidamente, que não precisa de mim para mostrar sua força. Ele só precisa que eu me incline diante Ele e deixe que Ele seja forte por mim”, testemunhou.

Quando Blasio tinha 6 anos, seus pais disseram que ela era adotada. No entanto, ela disse que começou a desconfiar da situação quando, na adolescência, decidiu pesquisar seus registros de nascimento e descobriu que não se tratava de uma adoção legal.

Por décadas ela tentou encontrar seus pais biológicos, mas acabou descobrindo o inimaginável — ela foi um dos 200 bebês vendidos em uma operação ilegal conduzida entre as décadas de 1950 e 1960 por um abortista da Geórgia chamado Thomas Hicks.

Entre os 200 bebês vendidos

O trabalho de investigação foi exaustivo, mas ao descobrir seu próprio passado, Jane acabou ajudando dezenas de bebês agora crescidos, conhecidos como “bebês Hicks”, a localizar seus pais biológicos e outros parentes.  

“As pessoas começaram a sair da toca”, exclamou. “Gostaria de conhecer a todos pessoalmente e fazer algumas perguntas realmente básicas para ter uma ideia do que eles procuram. Eu então diria: Apertem o cinto de segurança, porque esta será a viagem da sua vida”, continuou.

Jane relatou sobre sua busca para conhecer seu passado, revelou suas descobertas chocantes e sua jornada de fé em seu novo livro de memórias “Taken At Birth” [Roubados no Nascimento]. 

Embora sua história tenha sido amplamente coberta e até mesmo inspirado um documentário do TLC, em 2019, no qual Jane é apresentada como a líder das descobertas, seu livro compartilha detalhes dos bastidores da investigação e se concentra principalmente na fidelidade de Deus ao longo de sua vida. 

Sobre o livro

“Este livro não é sobre mim, é sobre todas as pessoas que foram tocadas pela escuridão e pela luz na Clínica Hicks. Deus abriu as portas e disse: Está na hora”, mencionou.

Ela escreveu detalhes sobre sua busca desde a adolescência, mencionando a clínica e o abortista, que morreu em 1972, aos 83 anos. Jane precisou viajar para diversos lugares e até visitou a Clínica Hicks. Entrevistou moradores, bateu de porta em porta, até preencher as lacunas de sua história. 


Capa do livro “Roubados no Nascimento”, de Jane Blasio. (Imagem: Reprodução/Christian Post)

“Foi difícil porque o Dr. Hicks não deixou muitos rastros”, lembrou. Mesmo assim, ela conseguiu documentar como Hicks realizava abortos ilegais, alguns deles até forçados, em mulheres vulneráveis.

Além de negligência médica, Hicks explorava seus pacientes desfavorecidos. “Muitos bebês que nasceram foram vendidos por Hicks para lares inseguros ou abusivos. Não havia uma rede de segurança e não tinha como saber se essas crianças estavam bem. Essa é a diferença entre uma adoção legal e ilegal”, comentou.

A escritora explica que os motivos de Hicks não eram claros, mas tudo indica que ele simplesmente encontrou um nicho para ganhar dinheiro. Ela o descreveu como “um homem que foi pego em seus próprios esquemas”.

Além disso, aponta para o fato de que “ele fez o que queria porque não havia ninguém lá para impedi-lo”, lamentou.

A graça do perdão

Através de sua fé, Jane disse que conseguiu perdoar o homem que a vendeu tão descaradamente e a centenas de outros bebês sem se preocupar com o futuro deles.

“Se você é crente, o perdão não é apenas uma opção. Deus diz que temos que fazer isso. E a melhor coisa sobre o perdão é que quando você decide perdoar, Deus se faz presente para ajudar a fechar o ciclo com o seu amor”, disse.

“Acho que Deus estava apenas aguardando eu dizer: ‘OK, vou perdoar’. E então, ele arruma totalmente a situação”, continuou. Jane reconhece que sua história é “pesada”, mas que tem partes leves também. Ela menciona as pessoas boas que conheceu através de sua busca e que se tornaram os amigos mais queridos.

“Ao buscar minha identidade, descobri que sou filha de Cristo”, destacou. Mas Jane também relatou que em sua caminhada cristã teve alguns obstáculos. Ela se converteu aos 21, mas depois se afastou da fé por 14 anos, enquanto lutava contra os traumas do passado.

Foi em 2014, que ela ouviu o Espírito Santo dizer: “Quando você vai terminar com isso e me deixar te levar para casa?”. Nesse momento, ela entregou tudo a Deus e se rendeu. “Ele mudou minha perspectiva sobre a minha história”, reconheceu. 

Atualmente, Jane compartilha sua história para encorajar outras pessoas, para que enfrentem suas dores do passado. “Sempre haverá esperança em Jesus Cristo. Por meio da minha história, quero que as pessoas possam experimentar esse amor”, reforçou.

Jane compara o amor de Cristo com um vaga-lume que chega brilhando para alguém que está sentado em uma varanda. “Quero que as pessoas conheçam o amor incondicional vem por meio de Jesus. Essa foi a descoberta mais importante da minha vida”, concluiu.

Fonte: Guiame / Rádio ADBelém 


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